Quem tem cachorro em casa já conhece aquele momento em que ele começa a se coçar do nada.
Uma coçadinha aqui, outra ali, uma mordidinha na pata, uma esfregada no sofá e pronto: o tutor já começa a olhar desconfiado. Será que é só uma coceira normal? Será que é alergia? Será que tem pulga? Será que aquele passeio no matinho trouxe um visitante indesejado?
E, se for um caramelo dramático, a cena ganha trilha sonora. Ele se coça, olha para você, suspira e age como se estivesse enfrentando um grande desafio da vida adulta.
Brincadeiras à parte, pulgas e carrapatos podem até ser pequenos, mas o problema que eles causam não é.
Eles incomodam, causam coceira, podem provocar feridas, alergias e, em alguns casos, transmitir doenças. Por isso, esse não é um cuidado para lembrar só quando o cachorro já está se coçando sem parar. Controle de parasitas precisa fazer parte da rotina.
Não é só a coceira que eles sentem…
Quando a gente fala em pulga e carrapato, muita gente pensa primeiro na coceira. E sim, ela costuma ser um dos sinais mais comuns. Mas o incômodo pode ir muito além.
O cachorro pode se coçar muito, morder regiões do corpo, ficar irritado, perder pelo em alguns pontos, apresentar feridinhas, vermelhidão na pele e até mudar o comportamento por causa do desconforto.
Tem cão que fica inquieto. Tem cão que para de dormir direito. Tem cão que não consegue relaxar porque está sempre tentando aliviar a coceira.
E aí a rotina vira um ciclo: o cachorro se coça, machuca a pele, sente mais incômodo e continua se coçando.
Segundo a veterinária Roberta Voltam, o tutor precisa observar a frequência e a intensidade desses sinais.
“O tutor não precisa se assustar com qualquer coçadinha, porque cães também se coçam normalmente. O ponto de atenção é quando isso fica repetitivo, intenso ou vem acompanhado de falhas no pelo, vermelhidão, feridas, irritação na pele ou mudança de comportamento. Nesses casos, é importante investigar com o médico-veterinário”, explica.
Carrapato não é só ‘tirar e pronto’.
Encontrou um carrapato no cachorro? Muita gente pensa que basta remover e assunto resolvido.
Mas não é bem assim.
Carrapatos podem transmitir doenças importantes para os cães, como erliquiose e babesiose, que afetam a saúde do animal e precisam de acompanhamento veterinário. Em alguns casos, o cachorro pode apresentar sinais como febre, apatia, falta de apetite, fraqueza, mucosas mais pálidas ou alterações no comportamento.
O problema é que nem sempre tudo aparece de forma óbvia logo de cara.
Às vezes, o tutor tira o carrapato, acha que resolveu e segue a vida. Só que, dependendo do caso, a avaliação veterinária pode ser necessária, principalmente se o animal começar a ficar diferente depois.
E aqui vale aquele alerta básico: nada de arrancar carrapato de qualquer jeito, espremer, passar receita caseira ou inventar uma solução milagrosa. O ideal é conversar com o veterinário sobre a forma segura de remoção, prevenção e acompanhamento.
Roberta reforça que o carrapato precisa ser levado a sério.
“O carrapato não deve ser tratado como um incômodo simples. Além de causar irritação no local da picada, ele pode transmitir doenças que exigem diagnóstico e tratamento adequados. Por isso, se o tutor encontra carrapatos no animal ou perceber sinais como apatia, febre, falta de apetite ou fraqueza, o melhor caminho é procurar orientação veterinária”, orienta.
Pulga também não é pouca coisa
A pulga parece pequena demais para causar tanto transtorno, mas causa.
Além da coceira, alguns cães podem desenvolver alergia à picada da pulga. E aí uma picadinha vira um problemão: pele vermelha, feridas, lambedura excessiva, queda de pelo e muito desconforto.
O cachorro não entende que precisa parar de coçar para a pele melhorar. Ele sente incômodo e tenta resolver do jeito dele: coçando, mordendo, lambendo.
E o tutor fica no meio, tentando descobrir o que aconteceu.
Por isso, não adianta olhar só para o cachorro. A casa também entra na história.
Pulgas podem estar no ambiente, em frestas, caminhas, tapetes, sofás e locais onde o pet costuma ficar. Se o cuidado for feito apenas no animal, mas o ambiente continuar infestado, o problema pode voltar.
É o famoso ‘achei que tinha resolvido, mas voltou’. E voltou porque, muitas vezes, a pulga não estava só no cachorro.
O ambiente também precisa entrar no cuidado
Quando falamos em prevenção, não é só passar um produto e esquecer da vida.
A rotina da casa faz diferença. Lavar caminhas, higienizar cobertores, manter o ambiente limpo, aspirar locais onde o cachorro fica e observar quintais, jardins e áreas externas ajuda no controle.
Principalmente em épocas mais quentes e úmidas, quando a presença desses parasitas pode aumentar.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP)lembra que o calor favorece a reprodução de pulgas e carrapatos, tornando cães e gatos mais suscetíveis a doenças transmitidas por parasitas. Por isso, o uso de antiparasitários deve ser feito de forma regular, sempre com orientação do médico-veterinário.
Ou seja, prevenção não é só uma coisa para fazer quando aparece o primeiro carrapato desfilando pelo pelo do cachorro. É cuidado de rotina.
Cada cachorro precisa de uma orientação
Tem tutor que chega no pet shop, vê várias opções de antipulgas e carrapaticidas e pensa: ‘qualquer um serve’.
Mas não é bem assim.
O produto ideal pode variar de acordo com peso, idade, espécie, saúde, rotina, ambiente e até estilo de vida do animal. Um cachorro que vive em apartamento não tem a mesma exposição de um cão que frequenta sítio, parque, grama ou creche. Um filhote também não deve receber qualquer produto sem orientação. O mesmo vale para cães idosos, gestantes, animais com doenças pré-existentes ou pets mais sensíveis.
E um cuidado muito importante: produto para cachorro não deve ser usado em gato sem orientação veterinária. Algumas substâncias podem ser perigosas para os felinos.
Roberta explica que a prevenção precisa ser individualizada.
“O controle de pulgas e carrapatos deve ser pensado para cada animal. O veterinário vai considerar peso, idade, espécie, histórico de saúde, ambiente onde vive e rotina de exposição. Isso evita escolhas inadequadas e ajuda a proteger o pet com mais segurança”, afirma.
Como perceber que algo não vai bem?
Alguns sinais merecem atenção no dia a dia:
- Coceira intensa ou frequente
- Mordidas repetidas no próprio corpo
- Falhas no pelo
- Vermelhidão na pele
- Feridas ou casquinhas
- Lambedura excessiva
- Presença de pontinhos escuros no pelo ou na caminha
- Carrapatos visíveis
- Apatia
- Falta de apetite
- Febre ou fraqueza
Nem todos esses sinais aparecem juntos. Às vezes, começa pequeno.
Por isso, observar o cachorro durante a escovação, o carinho, o banho ou aquele momento em que ele se joga no tapete pedindo atenção pode ajudar bastante.
Cuidado também é isso: notar detalhes antes que virem um problema maior.
E depois do passeio?
Passeios em áreas verdes, parques, sítios, praças e lugares com muita circulação de animais podem aumentar a exposição a pulgas e carrapatos.
Não significa que o cachorro nunca mais pode pisar na grama. Calma, o caramelo ainda pode viver suas aventuras de cheirar cada folha como se fosse uma investigação importante.
Mas depois desses passeios, vale fazer uma checagem no pelo, principalmente em regiões como orelhas, pescoço, entre os dedos, barriga, axilas e perto da cauda. Os carrapatos gostam de lugares mais escondidos, então o olhar precisa ser atento.
Esse hábito simples pode ajudar o tutor a perceber a presença de parasitas mais cedo.
Não teste receitas caseiras no seu dog!
A internet está cheia de dicas para tudo. Algumas parecem inofensivas, outras são bem arriscadas.
Quando o assunto é pulga e carrapato, é melhor evitar receita caseira, mistura improvisada e produto sem indicação. O que parece natural ou simples pode irritar a pele, intoxicar o animal ou não resolver o problema.
E aí o barato sai caro, para o bolso e para o cachorro.
O mais seguro é buscar orientação veterinária e seguir um plano de prevenção adequado para aquele pet. Prevenir é mais fácil do que correr atrás depois
Pulgas e carrapatos são daqueles problemas que parecem pequenos no começo, mas podem virar uma dor de cabeça enorme.
Por isso, a melhor estratégia é não esperar a infestação aparecer.
Manter a prevenção em dia, cuidar do ambiente, observar o corpo do cachorro, verificar depois dos passeios e conversar com o veterinário sobre o melhor produto para cada fase da vida do pet faz muita diferença.
Na Petiscão, a gente acredita que cuidado também mora nesses detalhes da rotina. No banho observado com carinho, na coceira que o tutor não ignora, no passeio com checagem depois, na caminha limpa e na decisão de procurar orientação antes do problema crescer.
Porque cachorro feliz não é só cachorro que ganha carinho, passeio e petisco.
É um cachorro confortável, protegido e livre daqueles visitantes indesejados que ninguém chamou para morar no pelo.