Castrar não é só evitar filhote, é pensar no futuro do pet

Por Neto Martini  •  0 comentários  •   Leitura de 6 minutos

Castrar não é só evitar filhote, é pensar no futuro do pet

Quando o assunto é castração, o que já pode já vir à nossa cabeça é: evitar ninhadas indesejadas. E sim, esse é um ponto importante. Mas a castração vai muito além disso.

Ela também pode ser uma decisão sobre a saúde do animal. 

Aquela escolha que, no começo, parece distante da rotina, mas que lá na frente pode ajudar a evitar problemas sérios. E quem vive com cachorro ou gato sabe: quando a gente ama, começa a pensar em tudo. No passeio, na comida, no banho, na vacina, no petisco e também nas decisões que protegem o animal mesmo quando ele ainda parece estar ótimo.

Porque cuidado bom é assim: muitas vezes acontece antes do problema aparecer.

De acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo, o CRMV-SP, a castração pode ajudar a prevenir infecções uterinas, tumores e cistos ovarianos em fêmeas. Em machos, o procedimento pode reduzir a chance de hiperplasia da próstata e tumor testicular. A entidade também destaca que a castração contribui para diminuir gestações indesejadas e deve estar associada à educação sobre guarda responsável.

O problema é que muita doença chega quietinha

Tem doença que não chega fazendo barulho e não espera o tutor estar preparado.

A piometra, por exemplo, é uma infecção no útero que pode atingir fêmeas não castradas e se tornar grave. Às vezes, o tutor percebe mudança no comportamento, falta de apetite, aumento da sede, secreção ou apatia. Em outros casos, o susto vem quando o animal já está mais debilitado.

E aí aparece aquela frase que ninguém gosta de pensar: “se eu soubesse antes”.

Segundo a veterinária Roberta Voltam, a castração precisa ser vista como parte de uma rotina de prevenção, não apenas como uma forma de evitar crias.

“A castração vai muito além do controle de ninhadas. Ela pode ser uma aliada importante na prevenção de problemas de saúde, como infecções uterinas, alterações ovarianas e tumores mamários em fêmeas, além de tumores testiculares em machos. Mas essa decisão precisa ser individualizada, porque idade, porte, histórico de saúde e rotina do animal influenciam diretamente na orientação veterinária”, explica a veterinária Roberta Voltam. 

Quando o cuidado vem antes do problema 

A gente entende que castração pode gerar dúvida. É cirurgia, envolve anestesia, recuperação, cuidado no pós-operatório e uma conversa séria com o veterinário. Ninguém precisa fingir que é uma decisão qualquer.

Mas também não dá para tratar como um assunto distante, daqueles que ficam para “um dia eu vejo”...

A castração é um assunto tão importante que existe até resolução sobre isso. O Conselho Federal de Medicina Veterinária, o CFMV, publicou diretrizes para orientar programas, campanhas e mutirões de castração de cães e gatos no Brasil.

E o ponto principal é bem claro: não adianta pensar só em quantidade. O mais importante é garantir segurança, bem-estar e cuidado adequado para cada animal.

A Resolução CFMV nº 1.596/2024 reforça justamente isso. A esterilização precisa ser feita com responsabilidade, dentro de uma visão de saúde pública, bem-estar animal e guarda responsável.

Ou seja, castrar não é uma decisão qualquer, nem algo para fazer no impulso. É um procedimento de saúde que precisa de orientação veterinária, avaliação do pet e cuidado antes, durante e depois.

Prevenção de verdade começa assim: com informação, responsabilidade e um olhar atento para o futuro do animal. Ou seja, não é sobre castrar no impulso. É sobre avaliar, conversar, entender o momento certo e fazer com segurança.

Tumor de mama também entra nessa conversa

Quando falamos de castração em fêmeas, um dos pontos mais importantes é a prevenção de tumores mamários. Esse é um tema sério, mas precisa ser falado de um jeito que o tutor entenda sem entrar em pânico.

O CRMV-SP aponta que idade avançada, uso de anticoncepcional e não castração estão entre os fatores de risco para câncer de mama em cadelas e gatas. A entidade também reforça que fêmeas não castradas ou castradas tardiamente têm maior risco de desenvolver a doença, especialmente no caso das cadelas. Mesmo assim, o melhor momento para a esterilização deve ser definido pelo médico-veterinário, considerando o quadro de saúde e o desenvolvimento de cada animal. 

Aqui vale uma observação importante: castrar não significa que o animal nunca mais terá nenhum problema de saúde. Não é uma capa de super-herói. Mas pode reduzir riscos importantes e ajudar o tutor a construir uma rotina de cuidado mais segura.

E vamos combinar, se a gente já faz de tudo para o caramelo não comer besteira no chão, não fugir pelo portão e não transformar o chinelo em projeto artístico, também faz sentido olhar para a saúde dele no longo prazo.

Machos também precisam de atenção

Muita gente ainda acha que castração é assunto mais importante para as fêmeas. Mas machos também entram nessa conversa.

Nos machos, a castração também entra como cuidado preventivo. Ela pode ajudar a reduzir riscos ligados ao sistema reprodutivo, como tumores testiculares e algumas alterações de próstata. Em alguns casos, também pode auxiliar no controle de doenças influenciadas por hormônios, como a hiperplasia prostática benigna e a prostatite crônica. Mas, como tudo na saúde do pet, essa decisão precisa passar pela avaliação do médico-veterinário. 

Além da saúde, em alguns animais a castração pode ajudar a reduzir comportamentos ligados aos hormônios, como marcação de território, fugas em busca de fêmeas no cio e algumas brigas. Mas é bom deixar claro: castração não é botão mágico de comportamento.

Se o cachorro já late para a folha caindo ou acha que o carteiro é seu inimigo pessoal, pode ser que ele continue tendo suas opiniões. Comportamento também envolve rotina, ambiente, socialização, treino e paciência.

O momento certo não é igual para todo mundo

Não existe uma única resposta quando o assunto é castração. Cada animal tem sua idade, porte, histórico de saúde, fase de desenvolvimento e rotina em casa, então o melhor momento para o procedimento precisa ser avaliado com cuidado.

Nada de seguir dica pronta da internet ou comparar com o pet do vizinho. O caminho mais seguro é conversar com o médico-veterinário, entender o que faz sentido para aquele animal e tomar a decisão com informação.

Para Roberta Voltam, essa avaliação individual faz toda a diferença.

“Antes de marcar a castração, é importante olhar para o animal como um todo. Espécie, idade, porte, condição corporal, saúde atual e histórico clínico ajudam o veterinário a indicar o momento mais adequado e os cuidados necessários antes e depois do procedimento”, orienta Roberta.

Castração também é guarda responsável

A castração não olha só para a saúde de um pet, mas também para um cuidado coletivo. Ela ajuda no controle populacional, reduz ninhadas indesejadas e pode contribuir para diminuir casos de abandono.

No dia a dia, o tutor cuida de mil detalhes: confere a água, escolhe a comida, observa o comportamento, percebe quando o pet está mais quietinho e até estranha quando ele não vem pedir petisco.

A castração entra nesse mesmo lugar de atenção. Não é uma decisão para assustar, nem para ser tratada com culpa. É uma conversa sobre saúde, prevenção e qualidade de vida.

Por isso, o melhor caminho é buscar orientação veterinária, tirar dúvidas, entender os benefícios, conhecer os cuidados antes e depois da cirurgia e avaliar o momento certo para aquele animal.

Cada pet tem sua história. E cada história precisa de um olhar individual.

 

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